Dīpāvalī

शुभं करोति कल्याणम्आरोग्यं धनसम्पदः।
शत्रुबुद्धिविनाशाय दीपज्योतिर्नमोऽस्तु ते॥

śubhaṁ karoti kalyāṇam ārogyaṁ dhanasampadaḥ |
śatrubuddhivināśāya dīpajyotirnamo’stu te||

A luz da lamparina traz auspiciosidade, prosperidade, saúde e riqueza em abundância. As minhas saudações a essa luz, para que destrua a ignorância, que é inimiga do intelecto.

Dīpāvalī

Dīpāvalī – Dīpa āvalī significa“fileira de lamparinas”. Trata-se provavelmente do festival mais importante ou celebrado do calendário indiano, constituído de três dias em regra, podendo variar de acordo com a região.

O festival das luzes compreende muita abundância, sua figura central, para a maioria dos indianos, é a deusa da prosperidade e dos recursos, Śrī Lakṣmī.

Nessa ocasião, as casas são renovadas, limpas e muito bem decoradas. Luzes são acesas, sejam as tradicionais lamparinas a óleo ou até mesmo as luzes de led que geralmente usamos para a decoração de Natal. Rangolis (desenhos feitos com uma mistura de farinha de arroz e pedra em pó) são desenhados no chão, com muitas cores e formas. De fato, todos os detalhes contemplam muita cor, luminosidade e doçura, manifestada tanto na gastronomia, na variedade impressionante de doces, como também no carinho e atenção com que tudo é feito. Em vários lugares, fogos de artifício costumam preencher o céu, no entanto, nos últimos anos, cada vez mais restrições ao seu uso vêm sendo estabelecidas por conta da poluição.

O Dīpāvalī se inicia no trayodaśī (décimo terceiro dia do calendário lunar) do mês de Kārtika e vai até a āmāvāsya (dia de lua nova, décimo quinto dia do calendário lunar).

No trayodaśī, são realizados rituais para a deusa Lakṣmī. Segundo os purāṇas (literatura hindu formada de histórias sobre os deuses e os homens), nesse dia, Śrī Lakṣmī nasceu do oceano de leite que foi agitado por devas e asuras com o objetivo de encontrar o amṛta (imortalidade). Com base nessa crença, as pessoas renovam, organizam e decoram suas casas, deixando tudo muito atrativo para que a Deusa venha visitá-las e ali permaneça ao longo do ano. São comuns os desenhos de pegadas nas entradas, representando a chegada da Devi nas casas. Além disso, as pessoas compram novos utensílios de ouro e vestem roupas novas, o que se assemelha à ideia do Ano Novo, a busca pela renovação para que o ano que se inicia seja favorável.

Esse dia é muito importante também para os negociantes. Com as bênçãos da Deusa, os antigos livros de caixa são encerrados e os novos são iniciados, começando assim um novo ciclo para os negócios. Para que tudo prospere, Śrī Lakṣmī é abundantemente homenageada por essa classe com rituais e muita fartura.

No segundo dia, naraka caturdaśī, reverencia-se o deus Kṛṣṇa, por ter derrotado o demônio Naraka. É um momento para renovar e aprofundar a śraddha (senso de confiança, de validade) na lei do dharma (lei que rege aquilo que é correto). Um dia em que a justiça acontece, aquilo que é correto prevalece sobre o que não é. Podemos enxergar esse acontecimento sob a ótica dos valores. Na Bhagavad Gītā, Bhagavān Śrī Kṛṣṇa fala sobre os vinte valores a serem seguidos para que uma pessoa tenha sucesso. Aqueles que são dharmicos e possuem qualidades como ahiṁsā (uma disposição livre de violência) prevalecem. Para alguém cujo o objetivo é Mokṣa (liberdade), valores são primordiais para que o conhecimento se firme na mente, que precisa ser suficientemente refinada para assimilar o ensinamento cujo propósito é o entendimento de que na verdade já somos livres das limitações das quais procuramos nos libertar.

O dia de āmāvāsya, que de fato se chama Dīpāvalī, é o dia em que o Senhor Rāma e sua esposa Sītā (considerada avatāra ou reencarnação da própria deusa Lakṣmī) retornam para Ayodhyā, depois de quatorze anos na floresta. O povo que adorava Bhagavān Rāma com muita alegria comemora o seu retorno, com fileiras de lamparinas e, assim, a noite mais escura do ano fica toda iluminada. A chegada do Senhor Rāma possui um belo significado, representa a obtenção do conhecimento da realidade absoluta, que é a identidade verdadeira do indivíduo. Somente através desse conhecimento é que a escuridão, que representa a ignorância, pode ser removida. Em muitas culturas, a luz que dissipa a escuridão simboliza o conhecimento que suprime a ignorância. Na cultura védica, esse aspecto é preponderante, como se pode observar no mantra referido no início deste texto e que deve ser entoado ao se acender a lamparina.

Que possamos celebrar o Dīpāvalī não só no dia do festival, como também em todos os outros dias, acendendo a lamparina em nossos corações com a chama do conhecimento do Ser ilimitado que somos. Para tanto, que possamos levar uma vida dharmica, seguindo o ensinamento de Śrī Kṛṣṇa sobre os valores. Uma vida preenchida pela crescente clareza que oVedānta proporciona, resultando em uma vida de completude e significado.

Om sad gurave namaḥ _/\_
Escrito por Maline Ribeiro