Guru Pūrṇimā

गुकारस्त्वन्धकारोवैरुकारस्तन्निवर्त्तकः।
अन्धकारनिरोधित्वाद्गुरुरित्यभिधीयते॥

gukārastvandhakāro vai rukārastannivarttakaḥ|
andhakāranirodhitvād gururityabhidhīyate||

A sílaba “gu” significa a escuridão  e a sílaba “ru”, a eliminação desta. O Guru é assim chamado, pois ele é quem remove a escuridão da ignorância.

Guru Pūrṇimā

Guru Pūrṇimā é a lua cheia do Guru, nesta data é celebrada a importância do Guru em nossas vidas. Acontece no mês āṣāḍha do calendário Hindu. Também é chamado de Vyāsa-Pūrṇimā, por ser a data de aniversário de VedaVyāsa, o sábio que compilou os Vedas, narrou o épico Mahābhārata e escreveu os Brahmasūtras.

Essa lua cheia marca o início dos quatro meses de chuvas na Índia. Nessa época do ano, os sannyāsins (renunciantes) seguem o voto de permanecer em um lugar, geralmente entre rios, e ensinar as escrituras.

É dito que três coisas devem ser respeitadas e adoradas por toda a vida: Īśvara, as escrituras e o Guru. A palavra Guru tem vários significados, sendo o mais popular deles “aquele que remove a escuridão da ignorância”. O Guru é o veículo pelo qual se recebe o conhecimento das escrituras reveladas. Diz-se reveladas pois foram recebidas pelos sábios de outrora diretamente de Īśvara.

O Guru é aquele que torna o conhecimento possível na mente de seus discípulos, uma vez que ele possui a chave para a interpretação das palavras dos Vedas. E como o Guru a obteve? Recebendo esse conhecimento de seu respectivo Guru e assim tendo acontecido sucessivamente, culminando no Senhor, o primeiro Guru, ŚDakṣiṇāmūrti. Por esse motivo a linhagem de Guru para discípulo é tão importante na tradição védica.

Então, Guru é aquele que é capaz de transmitir o conhecimento de forma que seus discípulos passem a ter a sua mesma visão, que é a visão dos textos védicos, a visão de Īśvara.  Através de suas palavras, vindas das escrituras e interpretadas sob a luz da tradição, entendemos nossa verdadeira natureza. Compreendemos que somos aceitáveis, estamos em ordem e somos o Todo. O Guru nos revela o conhecimento espiritual que nos liberta da ignorância responsável pelo saṁsāra, pela incessante busca em nos tornarmos diferentes daquilo que já somos. Essa libertação é Mokṣa, é como sentirmo-no sem casa, percebendo que nunca sequer saímos dela.

A relação entre um Guru e seu discípulo é tal que, por parte do discípulo, a entrega e a confiança são imprescindíveis. Apesar de parecer distante para a mentalidade atual, isso pode acontecer de forma objetiva quando entendemos que do ser humano à nossa frente provém o ensinamento que emana do Senhor. Dessa forma o Guru que está diante de nós se torna um altar de adoração pelo qual recebemos a maior bênção de todas: o conhecimento do ser ilimitado que já somos.

Nas escrituras é dito que as palavras existem no espaço e o nosso aparelho vocal é o canal pelo qual elas se manifestam. Dessa forma, o Guru expressa as palavras certas que fazem o ensinamento acontecer na mente do discípulo. Essas palavras são certas porque o Guru é guiado pela tradição e pelas escrituras.

Que hoje possamos oferecer saudações aos nossos Gurus, pedindo suas bênçãos para a trajetória rumo à crescente clareza sobre a nossa verdadeira identidade.

Om sad gurave namaḥ _/\_
Escrito por Maline Ribeiro