Kārtika Pūrṇimā

दीपज्योतिः परं ब्रह्म दीपज्योतिर्जनार्दनः ।
दीपो हरतु मे पापं दीपज्योतिर्नमोऽस्तु ते ॥

dīpajyotiḥ paraṁ brahma dīpajyotirjanārdanaḥ |
dīpo haratu me pāpaṁ dīpajyotirnamo’stu te ||

A luz da lamparina representa Brahman, a verdade não-manifesta, como também o Deus Viṣṇu (em sua forma manifestada). Que a chama da lamparina remova meus pāpas, resultantes de minhas ações e omissões. As minhas saudações à lamparina.

Kārtika Pūrṇimā

Kārtika Pūrṇimā é um festival celebrado durante a lua cheia do décimo quinto dia do calendário lunar do mês de Kārtika (novembro/dezembro). Assim como ocorre com outros festivais, é comemorado de diferentes formas nas várias partes da Índia.

Os devotos do Deus Viṣṇu celebram o dia em que o Senhor assumiu o avatāra de Matsya, um grande peixe, para salvar as vidas no planeta, que se encontrava alagado. Por isso, nesse dia é comum banhar-se nos rios sagrados, como o rio Ganges, e acender lamparinas, colocando-as nas águas para que sigam seu curso. Outra celebração também relacionada ao Senhor Viṣṇu é o Tulsī Vivāha, o casamento dadeidade com a planta Tulsī, considerada extremamente sagrada.

Em Tamil Nadu,o festival é conhecido como Kārtika Dīpam e se assemelha muito ao festival de Dīpāvalī, acendendo-se fileiras de lamparinas. Em Tiruvannāmalai, o festival compreende dez dias, os devotos do Senhor Śiva homenageiam a vitória do Deus contra o Tripurāsura, razão pela qual o festival também é conhecido como Tripurī Pūrṇimā e, como em outros festivais religiosos, são realizados rituais e certas austeridades são observadas pelos devotos como jejum, pujas, etc.

Como toda a cultura védica é permeada de significados, cada evento traz em si mensagens para nossas vidas. Neste caso, as lamparinas simbolizam a vitória da luz do conhecimento contra as sombras da ignorância. A lua cheia clareia os meandros de nossas personalidades, para que possamos aprimorar nosso ser com o fim de receber a riqueza do conhecimento do Si mesmo. A vitória de um deva sobre um asura ou a vinda de um avatāra para salvar a humanidade representam nosso lado discriminativo e guiado pela lei do dharma, de modo que através de nossas condutas e esforços deliberados sejamos capazes de vencer os inimigos internos que estão sob a forma de desejos, raiva, arrogância, etc.

O casamento entre o deus Viṣṇu e a planta Tulsī retrata um voto. Que possamos mais uma vez reafirmar nossos votos com o nosso propósito de vida, trazendo para a superfície da mente o objetivo e a clareza para os meios, sob a graça de Īśvara, para que a jornada seja frutífera.  Assim, que possamos contemplar e agradecer nossas jornadas nessa data auspiciosa, abastecendo-nos de motivação rumo à verdade que liberta e preenche.

Om sad gurave namaḥ _/\_
Escrito por Maline Ribeiro