Makara Saṁkrānti (Pongal)

हरिदश्वः सहस्रार्चिः सप्तसप्तिर्मरीचिमान्।
तिमिरोन्मथनः शंभुः त्वष्टा मार्ताण्ड अंशुमान्॥

haridaśvaḥ sahasrārciḥ saptasaptirmarīcimān|
timironmathanaḥ śambhuḥ tvaṣṭā mārtāṇḍa aṃśumān ||

Ele é aquele que tem cavalos verdes, que é dotado de milhares de raios, que tem sete cavalos (todas as cores do espectro), que possui raios luminosos. Aquele que destrói a escuridão, que é causa da felicidade, que dissolve o mundo, que traz de volta o mundo dissolvido e que possui todos os raios penetrantes.

Makara Saṁkrānti (Pongal)

Makara Sakrānti é um festival que acontece no mês Makara, entre janeiro e fevereiro do calendário gregoriano. É um dia auspicioso, porque marca o solstício de inverno, quando o sol muda de direção, voltando-se para o norte, uttaraa, e tornando-se cada vez mais intenso e generoso.

Como nos demais festivais indianos, cada região apresenta uma particularidade com relação à significação e à forma de sua celebração, recebendo até mesmo diferentes denominações. Especificamente no Estado de Tamil Nadu, onde Pujiya Swami Dayananda Saraswati nasceu, o festival recebe o nome de Pongal, em referência ao prato típico da região, para celebrar as primeiras colheitas do ano, como a do arroz, cana-de-açúcar, açafrão e outros cereais e plantas vitais para a culinária tradicional local.

O festival tem o propósito de agradecer à natureza por sua abundância, honrando-se o ciclo da vida, que oferece o essencial para a sobrevivência. As pessoas acreditam também que nesse dia problemas e disputas entre amigos e familiares terão um fim.

Bhogī – O primeiro dia do festival é chamado Bhogī, em agradecimento ao Senhor Indra, controlador das chuvas e nuvens, por abençoar a terra. Em seguida, o ritual Bhogī Mantalu acontece, com a queima de velhos utensílios domésticos em uma grande fogueira, depois as pessoas cantam e dançam ao redor do fogo em homenagem aos deuses.

Pongal– Oficialmente Pongal é o nome do segundo dia do festival, quando os rituais mais populares acontecem. Nas vilas, milhares de pessoas vão para fora de suas casas para realizar o Pongal pūjā (ritual), em que Sūrya Devata (deidade do Sol) é reverenciado. Neste ritual, o arroz da primeira colheita do ano é colocado em um pote de barro cheio de leite e em seguida é fervido. Quando o leite derrama devido à fervura, mulheres proclamam “Pongal”. O transbordar do Pongal é um símbolo de abundância e prosperidade. Veste-se roupas novas e auspiciosos e detalhados kolams (desenhos) são desenhados na frente das casas com pó de arroz.

Maṭṭū Pongal – O terceiro dia, chamado Maṭṭū Pongal, é o dia dedicado ao gado. Vacas são decoradas com sinos, flores e guirlandas, seus chifres são pintados e elas são adoradas através de pūjās. São alimentadas com o prato tradicional, Pongal, e conduzidas para uma caminhada, o som dos sinos ressoa nas vilas de Tamil Nadu. Em alguns lugares, realizam-se corridas e desfiles com as vacas, bem como outras atividades.
Kanum Pongal– O último dia do Pongal é chamado de Kanum Pongal, quando então o último ritual é feito para venerar o solo. Uma folha de açafrão é lavada e sobre ela e ao seu redor são colocadas porções de arroz, pongal doce, nozes de betel, folhas de betel, cana-de-açúcar e outros itens. As mulheres realizam esse ritual juntas em frente às suas casas, rezando para que suas moradas prosperem no ano que segue.

O Pongal representa a cultura védica de uma forma muito bonita, um entendimento profundo da interconexão de todas as coisas e de que cada ser possui um papel a ser cumprido. Ao participarmos ativamente como contribuintes desse ciclo, entramos em harmonia com a ordem do Dharma, que é Īśvara, a causa do universo.

No terceiro capítulo da Bhagavad Gītā, Senhor Kṛṣṇa explica a Arjuna sobre karma yoga, esclarecendo que o desempenho dos deveres com devoção e com a atitude apropriada são o caminho para o mais alto bem-estar. É o reconhecimento da ordem e uma oportunidade de usar nosso livre arbítrio para nos harmonizarmos com essa ordem. Isto conduz o buscador espiritual à purificação mental, pois torna possível o entendimento e a assimilação da verdade última sobre o universo, Deus e o indivíduo.

Śrī Kṛṣṇa ressalta que aqueles que usufruem sem contribuir são como ladrões, glorificados serão aqueles que realizam seus rituais e deveres. Talvez para o mundo contemporâneo e ocidental a ideia superficial dos rituais pareça um tanto quanto distante ou mesmo estranha, mas sua lógica, em essência, é muito simples. Os rituais são uma forma de contribuição. Na cultura védica, todos os fenômenos da natureza são vistos como manifestação de Īśvara, com nomes e formas de deidades que precedem cada aspecto natural. Ao venerar a deidade do sol, estamos venerando Īśvara, que não é separado do indivíduo, estamos reconhecendo que sem o sol a plantação não é possível, a vida não é possível e, por isso, devemos agradecer sua existência.

O cultivo de uma atitude venerável e contributiva é o que transforma a vida de um indivíduo,que traz amadurecimento e faz gerar frutos não só para si, como para todos ao seu redor. Os rituais com a atitude de karma yoga, ou seja, as ações como uma oferenda à ordem do universo, refinam a personalidade, ampliando a capacidade de discernimento, de realizar escolhas, de agir ao invés de reagir.

Que neste dia possamos apreciar a interconexão que existe entre todos os aspectos da natureza, dos quais a vida do indivíduo depende e nos quais ela se inclui. Nada está fora da ordem, isso é um fato, mas querer contribuir com a ordem é o diferencial entre o crescimento espiritual ou sua estagnação. Assim, que essa linda oportunidade de agradecer as colheitas possa trazer a inspiração para plantar as melhores sementes a serem colhidas, depois, com amor e gratidão.

Om sad gurave namaḥ _/\_
Escrito por Maline Ribeiro